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Dicas para comprar um tape deck cassete vintage

Por Arq. Me. Iberê Moreira Campos e equipe


Eu possuo, possuí e consertei centenas, talvez milhares, de tape decks cassete. Comecei a lidar com eles, quando novos, no início dos anos 1970. De lá para cá, muita água passou em baixo da ponte. Os aparelhos passaram todos estes anos sendo aperfeiçoados, os mais novos são melhores que os mais antigos. Todos eles, contudo, sofreram dos mesmos desgastes. Pelo próprio uso, por muito tempo de armazenamento, pelos técnicos incapacitados, pelas peças ruins... O fato é que, hoje em dia, muito poucos dos decks que estão à venda estão funcionando. Menos, ainda, estão funcionando corretamente, com todas suas funções com graus mínimos de qualidade.

Sabendo e vivendo tudo isso na prática, fico impressionado com todos os anúncios que vejo por aí oferecendo gravadores cassete. Alguns vendedores são honestos e vendem o aparelho “no estado”, dizendo os defeitos que notaram. Alguns chegam, inclusive, a dizer que o aparelho não funciona, que estão vendendo para ser sucateado para retirar peças. Mas, infelizmente, muitos anúncios falam que “o aparelho está funcionando, é só trocar as correias”. Ora bolas, isto aí só engana quem não conhece de aparelhos vintage, porque quem entende um pouquinho sabe que isto não existe. Se as correias se estragaram é porque o aparelho ficou muito tempo parado e, portanto, tem muitos outros problemas. Os mesmos motivos que estragaram as correias também devem ter estragado outras coisas.

O aparelho pode até estar bonito, mas e sua condição interna? Vamos lembrar que o aparelho foi fabricado entre a 20 a 40 anos atrás, e durante uma vida tão longa deve ter passado por várias situações extremas. Dentro de um tape deck existe muita coisa de "borracha" e e também mutias "peças lubrificadas". As primeiras trabalham com base no atrito, e as segundas existem justamente para diminuir o atrito. O tempo, entretanto, NÃO é amigo de nenhum deste grupo de peças. Com as borrachas podem sofrer com várias coisas, elas podem rachar, esticar, quebrar, esmaecer ou se transformar numa substância pegajosa. Óleo e graxa "gelificam" e param de ser lubrificantes e começam a se tornar "colas" (pense na graxa endurecida sob um carro / trator antigo / vintage. Ela deve ser "lascada" com uma espátula). Esses aspectos e outros afetam os aparelhos que tenham partes móveis, e há muitas partes móveis dentro de um tape deck.

A maioria dos desavisados presume que, se você simplesmente "trocar a(s) correia(s), o deck estará pronto para uso. Grande engano, não chega nem perto. Para citar apenas uma das partes mais críticas, a maioria dos decks de cassete também utiliza uma roldana intermediária para rebobinar a fita, não apenas para a função de avanço rápido” mas também para recolher a fita que já passou no cabeçote para reproduzir a música. Com o tempo esta roldada fica endurecida, ou pode rachar e deformar. Um deck NÃO FUNCIONARÁ corretamente com problemas assim. Para corrigir este tipo de defeito, normalmente é preciso fazer uma desmontagem quase completa de todo o transporte da fita para avaliar se uma roldana de substituição pode ser encontrada, adaptada ou fabricada. Pensando em casos assim, preparamos a seguir uma lista de perguntas a serem feitas sobre qualquer toca-fitas que esteja à venda.

1 - O aparelho está ligando? – Esta é a primeira verificação. Ligar o aparelho na tomada e ver se está dando algum sinal de vida. Basicamente, ver se as Luzes acendem, se os VUs se mexem e se existe algum barulho, diferente ou indicador dos testes iniciais do mecanismo.

2 - O aparelho está conseguindo movimentar a fita? – Uma vez que o aparelho esteja ligando, colocar uma fita e apertar o PLAY. Em alguns aparelhos, não conseguiremos sequer colocar a fita, porque não vai abrir a porta por onde inserirmos a fita. Uma vez conseguindo colocar uma fita e ver se o aparelho movimenta a fita. Se movimentar no PLAY, experimente avançar e retroceder a fita (para fazer estes testes, use uma fita velha e que, se estragar, não vai fazer falta porque um mecanismo com problemas pode danificar a fita).

3 - Se a fita se movimenta, sai algum som? – – Sabendo que a fita se movimenta, ligar o tape deck num conjunto de som, consistindo de amplificador ou receiver, conectado a fones de ouvido ou caixas acústicas. Conferir se está saindo som nos dois canais (esquerdo e direito).

4 - Como está sua ‘Velocidade’ geral? – Com a fita rodando, verifique de ouvido mesmo se a velocidade parece estar normal Pequenas variações de velocidade são perfeitamente normais num aparelho antigo, mas grandes diferenças são indicadores de problema mais sérios. A velocidade imprecisa ou oscilante é um dos primeiros sinais reveladores da saúde geral de um deck. Se você não é músico ou técnico talvez não consiga notar detalhes, mas a maioria das pessoas notará que algo não está muito certo ao ouvir um som lento (ou ocasionalmente rápido) vindo da fita. Se isto acontecer, não se iluda: a simples troca das correia não vai aumentar precisão da velocidade. A maioria dos mecanismos precisará ser desmontada, limpo e lubrificado novamente antes que qualquer ajuste de velocidade possa ser tentado. Dica: um bom teste é usar uma gravação que contenha piano. Este é um dos instrumentos mais difíceis de reproduzir, qualquer alteração será facilmente percebida.

5 - O deck avança e retrocede a fita, em todas as posições na fita? – Nos aparelhos com problema, o movimento rápido da fira será irregular e intermitente, isso se funcionar. Se não girar corretamente no modo “Reprodução“ isso fará com que o deck “coma” fita. Isto é causado pela roldana intermediária que fica no suporte onde a fita vai sendo enrolada, que costuma estar gasto ou vitrificado. Lembre-se que esta borracha tem décadas de vida, e isso não é fácil de resolver. Essa roldana quase sempre está "enterrada” em algumas camadas dentro do transporte. Depois de chegar lá, você sai em busca de um substituto, apenas para descobrir que foram feitos dezenas ou centenas de pneus de borracha, dos quais apenas alguns ainda estão disponíveis e nenhum deles se encaixará corretamente. Portanto, agora você tem que fazer a escolha (pelo menos de vocês deseja avançar com uma restauração de decks) se você vai abandonar a restauração ou sair em busca de uma peça para substituir, o que vai ser uma missão difícil de cumprir. 6 - Como está o estado das cabeças – É preciso um olho experiente para estimar visualmente a condição das cabeças da fita. O melhor mesmo é usar uma lupa que aumente pelo menos umas 4 vezes. Cabeças excessivamente gastas nunca soarão como deveriam, com qualquer quantidade de ajuste, e você não pode simplesmente entrar numa loja e comprar um novo cabeçote. Cabeças de reposição para um deck específico provavelmente precisarão vir de outro deck específico (ou muito próximo). Ter as cabeças polidas já foi uma possibilidade às vezes viável, mas isso é, na maior parte, uma arte perdida há muito tempo. Não existem mais os produtos e os profissionais. Mesmo que você consiga adquirir cabeçotes de reposição, eles devem ser instalados corretamente. Isso exigirá fitas de alinhamento, muita paciência e equipamento de teste como milivoltímetros e/ou osciloscópios.

7 - Se o deck for auto-reverse, como está a condição da engrenagem no mecanismo que gira a cabeça? – Estas engrenagens racham com facilidade e impedem que o auto-reverse funcione. Se não fizer questão desta comodidade, ainda assim poderá usar o deck. Durante as tentativas, a cabeça irá virar parcialmente e travará. Se você puder fazer com que ele volte à sua posição original, deixe-o e aceite que o deck não é mais auto-reverse.

8 - O desligamento no final da fita está funcionando? – Durante a reprodução, quando a fita chega ao fim nos modos de reprodução e avanço rápido o mecanismo de parada automática (auto-stop) precisa desligar o mecanismo. Isto está acontecendo? Todas as vezes?

9 - Contador de voltas da fita – O contador da fita funciona e gira suavemente por toda a extensão da fita? Toda vez?

10 - A quantos dB o deck reproduz a partir do seu nível de gravação? – Se você gravar um sinal em 0dB, o quanto a reprodução se desvia disso? Você geralmente deve esperar uma queda entre 3 a 6dB se o deck estiver em uma condição razoável. Se estiver 10 ou 12dB (ou mais), você provavelmente não ficará muito feliz com a qualidade da gravação. A menos que seja simplesmente devido a cabeças sujas, lidar com isso é um tanto complicado até mesmo para os tecnicamente qualificados.

11 - A reprodução é uniforme em ambos os canais e nos dois medidores? – Para saber isto, não adianta colocar sua fita de música favorita e ouvi-la para fazer uma determinação precisa. É preciso usar uma fita de teste calibrada (com tons de teste constantes), e aparelhos de teste para, em primeiro lugar, certificar-se de que o cabeçote de reprodução está alinhado e, depois, se os amplificadores de reprodução internos estão produzindo uma amplitude uniforme e que os medidores são ajustados corretamente para o nível Dolby. Não sabe o que isso significa? Então, se fosse você eu não estaria mexendo com isso... Deixe para um técnico QUALIFICADO avaliar.

12 - Você ouve ruídos quando a fita está rodando? – Ponha a fita para tocar, abaixe o volume do som e encoste o ouvido bem próximo ao mecanismo. Preste atenção para saber se escuta um barulho de enrugamento ou de algo sendo amassado. Desligue o deck e examine a fita que acabou de ser tocada, verificando se há evidência de enrugamento ou vinco na fita (claro, use uma fita velha para fazer este teste).

13 - Os potenciômetros geram ruido no som? – Os controles de Nível de Gravação e de volume (se houver) são silenciosos ou precisam ser limpos/restaurados?

14 - Funcionamento das chaves – As chaves do Dolby, seleção de fica, “Source / Monitor” ou “Tape EQ” ficam silenciosos ou fazem ruído ao acionar? Estão funcionando?

18 - Sistemas de redução de ruídos – Se o deck estiver equipado com algum tipo de redução de ruído (Dolby B, C, DBX, etc.), está funcionando corretamente? Não é comum haver problemas com isso, mas acontece.

19 - Ruídos numa fita em branco – O deck fica silencioso ao reproduzir uma fita em branco (ou virgem)? O som reproduzido será apenas um chiado, mas deve ser só isto. Queremos ouvir o transporte se movendo sem gerar outros tipos de ruído (estalos, roncos, etc.) o que indicaria problemas elétricos ou mecânicos.

20 - Compartimento do cassete – A porta do compartimento fecha e trava, todas as vezes e corretamente, repetidamente?

Esses seriam os pontos mais importantes a serem verificados na inspeção de um tape deck ou toca-fitas. Depois que você, ou alguém tecnicamente qualificado, tiver abordado PELO MENOS TODOS os itens acima, então podemos falar sobre o fato do aparelho estar ou não em condições de ser restaurado e voltar a funcionar de maneira aceitável. Lembre-se sempre, estamos falando de aparelhos fabricados há décadas e é normal que uma ou outra função não volte a funcionar 100%, mas o aparelho deve pelo menos ser usável e proporcionar satisfação ao ouvi-lo e usá-lo.

Publicado em 23/08/2020 às 08:35 hs, atualizado em 25/08/2020 às 07:23 hs


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